Sobre a polêmica do uso de agrotóxicos na limpeza das vias públicas de Rancho Queimado

Sobre a polêmica do uso de agrotóxicos na limpeza das vias públicas de Rancho Queimado

Diante dos últimos acontecimentos sobre este assunto vale uma reflexão. Primeiramente cabe-nos ter conhecimento da legislação referida, cito a Lei nº. 14.734, de 17 de junho de 2009, que dispõe sobre a proibição, em todo o território do Estado de Santa Catarina, da capina química nas áreas que relaciona e que pode ser acessada aqui.

Sou museólogo, profissional que luta pela salvaguarda dos nossos patrimônios e manifestações culturais de naturezas tangíveis e intangíveis. Desde 1937 o Brasil possui legislações específicas para esta área e mais recente, temos a Lei nº. 11.904, que dispõe sobre a regulamentação de museus e processos museológicos. E o que podemos observar? O descaso com a nossa identidade, um silenciamento de memórias e um certo esquecimento e negligência aos bens culturais.

A prática do profissional em Museologia consiste num contínuo diálogo de conscientização. Este é o mote ao que se tem passado em Rancho Queimado, ante às discussões sobre a capina química ocorrida em suas vias públicas.

Há anos que a cidade vinha enfrentando um estreitamento de suas estradas, onde a vegetação ganhava fôlego, o que as deixava perigosas para quem nelas trafegassem, tanto pedestres quanto motoristas.

Enfim, uma grande limpeza ocorrida recentemente aumentou a segurança na trafegabilidade. Nesse âmbito, parabéns à administração que percebeu a necessidade de se fazer esta higienização.

Já sobre o uso indiscriminado de agrotóxicos, é um assunto bem mais complexo. Isto é um hábito cultural e hábitos precisam ser mudados por meio da conscientização e não pelo embate. Também sou favorável ao não-uso destes mecanismos, mas, numa sociedade consumidora de pesticidas, como o Brasil, a polarização desse assunto gera discursos igualmente nocivos.

Há dois pontos importantes a se observar: o primeiro, diz respeito à limpeza das vias públicas, cousa que não se realizava há anos; o segundo, o uso indiscriminado de agrotóxicos, não somente como no exemplo da capina química, mas nos nossos alimentos diários. O agrotóxico tem matado, gerado anomalias e doenças. O que fazer, então?

A receita é simples: diálogo e conscientização. Única receita infalível para se mudar um hábito cultural. É isso!

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Imagem: Beira de via pública na cidade de Rancho Queimado, após uso de agrotóxico para capina química. Foto: Vereadora Cleci Veronezi | Facebook

 

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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