Borrachudos: ou eles, ou nós!

Diogo Guerra*

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Pois o mosquito borrachudo se adonou da região. Proprietários de sítios à beira dos riachos estão colocando suas propriedades à venda. Como vamos fazer turismo com um inimigo desses? E eles são implacáveis, persistentes, enquanto não sugarem o seu precioso sangue não abandonam o infeliz. É tapa para tudo que é lado.

Sugiro que para amenizar a sexualidade desses casais de namorados na faixa etária de 13 a 17 anos, o melhor anti-afrodisíaco é o borrachudo. As mãos ficam ocupadas em tentar matar o simulídeo com um veneno que não tem efeitos colaterais, é tapa.

Recentemente estava o Facchini e o Felipe lá no meu sítio entrevistando o famoso escritor Luis Fernando Verissimo, isso foi no início de agosto. Verissimo contava sua vida e eu ficava só observando e refletindo. Eis que olho para as pernas brancas do escritor sendo atacadas pelo borrachudo. Dei dois tapas para não estraçalhar os intrusos, coloquei os mesmos num frasco com formol e escrevi no meu diário: “Neste dia esses dois borrachudos sugaram um sangue precioso do mestre da literatura”.

O que me deixa abismado é a falta de etiqueta social dos borrachudos, atacam todas as classes sociais e, principalmente, dos nossos sofridos agricultores, que além de serem maltratados pelo aviltamento dos preços dos produtos agrícolas suportam, aturam, esses insetos voadores.

O ciclo biológico desse parasita se reproduz com mais rapidez que a natalidade de um nordestino no agreste e no sertão daquela região. Uma fêmea necessita, para fazer a ovoposição, de sangue nobre dos mamíferos, e o homem foi o escolhido.

Nos meus já distantes tempos de criança, quando os córregos, rios, não eram poluídos, não se conhecia essa praga. Ela surgiu com os desmatamentos das beiras dos riachos, pela matéria orgânica que corre pelas águas, pela poluição industrial e doméstica, pelos agrotóxicos, enfim, por esse modo de olhar a natureza das últimas décadas.

Antigamente, coisa de dez anos passados, os borrachudos davam uma trégua, principalmente no inverno. Agora não, eles infernizam a sua vida nos doze meses do ano.

Naquela época eles eram também mais educados, respeitavam a sua casa e agora são tão invasivos quanto a mosca doméstica, outro nojento bicho.

Essa falta de respeito com o homem faz-me pensar como somos frágeis, pois esses minúsculos insetos conseguem tirar-nos a paciência. Tenho encontrado pessoas que estão em alto estágio de depressão e atribuem ao borrachudo a causa do desequilíbrio mental.

O homem, na sua insana ambição, foi aniquilando os inimigos naturais do borrachudo, que são os peixes e os caranguejos, como nos nossos córregos corre um líquido pestilento, escuro, podre, sobrou o sapo.

É interessante observar que o borrachudo procura os vasos e as veias onde corre o nosso precioso sangue e em questão de segundos a fêmea incha e, feliz da vida, abandona o usuário.

A continuar esse quadro, os classificados do Contexto cada vez mais terão vendedores de sítios. Para facilitar a venda, a melhor forma de enganar o possível comprador é ir para uma farmácia e adquirir os repelentes anti-mosquitos. Ao chegar ao local deixe sua mulher, esposa, companheira, amante, deitada semi-despida na espreguiçadeira. Procure dopá-la, ou que ela tome meio litro de uísque, ela certamente soltará gostosas gargalhadas atribuindo aquele local melhor do que uma praia no Havaí. Treine-a e faça com que ela se irrite ao dizer que você vai vender o sítio, caso contrário você nem de graça encontrará um otário para adquirir o seu sonho de muitos anos de poupança e de trabalho.

Não está longe o dia em que o borrachudo invadirá as cidades. Ele perdeu a vergonha há muito tempo.

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*texto retirado da Internet

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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