José Dirson: O abraço, o aperto de mão, o sorriso

Primeiramente,  o que tenho para compartilhar  é um sentimento confuso, embaraçado em minhas memórias. Saudade. Sempre justifiquei e expliquei esse substantivo abstrato como uma lembrança, uma dor que fica.  Se sentimos saudades é porque bons momentos houveram; aos quais queremos nos reportar e buscar o conforto novamente. A saudade é um misto de alegria e de dor, é um “contentamento descontente, dor que desatina sem doer”. Com a certeza de que valeu a pena ter vivido tudo e a vontade de rememorar num passado distante àquilo que algum dia nos fez feliz. Busco nessa explicação um conforto diante da minha dor nesse momento. Falar de e dos amigos é sentir saudades. Do tempo vivido, da infância, da escola, das peraltices, do abraço, do aperto de mão e do sorriso;Ccmo a grandiosa letra de Renato Teixeira:

A amizade sincera é um santo remédio
É um abrigo seguro
É natural da amizade
O abraço, o aperto de mão, o sorriso
Por isso se for preciso
Conte comigo, amigo disponha
Lembre-se sempre que mesmo modesta
Minha casa será sempre sua
Amigo
Os verdadeiros amigos
Do peito, de fé
Os melhores amigos
Não trazem dentro da boca
Palavras fingidas ou falsas histórias
Sabem entender o silêncio
E manter a presença mesmo quando ausentes
Por isso mesmo apesar de tão raros
Não há nada melhor do que um grande amigo

(clique e ouça a música)AMIZADE SINCERA  – Renato Teixeira

O acontecido da última semana abalou-me profundamente. Não somente a mim, mas a todos que tinham no José Dirson Zimermann um AMIGO SINCERO. No primeiro instante o susto, o abalo; depois as lembranças nos passam como num filme. E dessas somente as melhores.

Nossa amizade começou cedo, na escola e ao longo dos anos os elos de confiança e de camaradagem se solidificaram ainda mais. Com o tempo alguns colegas foram ficando para trás e perfilando um grupo que pra sempre ficaria nas memórias de todos os nossos docentes e da escola: aquela turma de onze crianças – dez meninos e uma moça apenas. Fomos os mais felizes dos alunos e certamente foram os melhores anos escolares de nossas vidas.

Mais tarde com o Ensino Médio outros chegaram, a família cresceu e a união sempre nos manteve juntos e isso transpassou após a formatura. Hoje somos adultos. Uns casados, outros pais e mãe; seguimos rumos distintos mas a lembrança – a saudade – sempre nos mantém vívidos.  Desses todos, não tenho como privilegiar o José, amigo sempre disposto a estender a mão, um abraço, o belo sorriso e a sua cumplicidade. Trabalhamos juntos na Escola de Educação Básica Marilda Lênia Araújo e sempre estávamos em sintonia. Conversas felizes e rememorando os tempos que outrora juntos trilhamos.

Quando soube da eleição municipal e da decisão do José de concorrer ao pleito, prontamente eu estendi a minha mão. Era o mínimo que eu poderia fazer para retribuir tudo o que ele sempre me ofertou sem nada em troca pedir. Amigos verdadeiros são aqueles que se doam sem esperar nada em troca. Felizes o elegemos, com louvor. Mérito dele. Reconhecimento de uma cidade que o conhecia bem.

Eu a ele disse que o resumia numa palavra: VENCEDOR. Porque só quem era um amigo de verdade sabia toda a trajetória que ele trilhara até então. Chamá-lo assim, de vencedor, era justo diante de todas as adversidades que ele passou até chegar onde estava. Eu nutria muito respeito e admiração por ele. E quem não teria?

Infelizmente, os percalços da vida nos pregam peças e mesmo um vencedor tropeça. O meu vencedor perdeu. Daquela turminha iluminada de onze crianças uma luzinha se apagou. Restaram dez. O José Dirson Zimermann nos deixou para que pudéssemos despertar e descobrir o verdadeiro significado da amizade. Coisas que somente certos amigos sabem entender:

Quando esse trem de alegria vara a vida da gente 
Sempre que a estação mais perto é o nosso coração 
Difícil se saber na hora o que a gente sente 
Se certos amigos nos mostram que o mundo ainda é bom 
Por saber, 
Que tendo você do meu lado me sinto mais forte 
Quero beijar o teu rosto e pegar tua mão 
Se cada estrela no céu é um amigo na terra 
A força do acaso do encontro é uma constelação

Lumiar, 
De que planeta você é? 
Eu faço o que você quiser em troca do teu amor 
Posso te dar o que eu sou, amigo é um cobertor 
Bordado de estrelas – de estrelas. 
Constelação, nave louca 
A vida é pouca e o que vale é se querer

(clique e ouça a música) CERTOS AMIGOS – Expresso Rural

O teu legado, José, continuará vivo. Quero que saibas que sempre aqui estarei te esperando com um abraço, com um aperto de mão e um sorriso. Descanse em paz, com os justos. É isso!

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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