Um dedo de prosa: sobre educação e turismo

O turismo em Rancho Queimado precisa ser repensado, “antes que seja tarde”

Ontem fui abordado por um casal de viajantes na Praça Leonardo Sell, no Centro de Rancho Queimado. Cordialmente me perguntou “e os jovens daqui? Como estudam? Fazem universidade de que maneira?” Confesso que de imediato aquilo me causou estranheza, afinal sempre fui acostumado a responder aos turistas sobre a cidade e seus atrativos, coisa que sempre fiz quando estou no Museu Hercílio Luz, aos finais de semana no Restaurante Galpão Tropeiro ou em qualquer lugar que eu esteja.

Sim, considero-me (e sou) o maior garoto-propaganda que essa cidade poderia ter! Não exito em divulgá-la em momento algum! Esse Portal é a materialização disso tudo: a dedicação que tenho em escrever os textos, o tempo que reservo a responder aos emails, os telefonemas que faço intermediando turistas, pousadas e restaurantes. Mas como não vejo contrapartida de pessoas que deveriam no mínimo me apoiar, ando um tanto desgostoso com a nossa querida Rancho Queimado!

E a pergunta dos visitantes me deu um feed back

Não ousei perguntar o sentido daquele interesse em saber onde os jovens daqui estudavam! Talvez ele em pouco tempo que por aqui esteve diagnosticou “algum problema” que nós estejamos cegos! Respondendo a pergunta do casal, disse-lhe que os jovens daqui que resolvem estudar se deslocam até a Capital, onde se concentram as universidades; disse-lhe que os jovens, em sua maioria, ausentam-se e vão morar fora (é o meu caso também) contribuindo para o êxodo rural; disse-lhe que a grande maioria desses jovens se vão e não retornam mais. Salientei que há os insistentes, que vão e vêm todos os dias, etc.

Assim, foram mais de vinte minutos de conversa, sobre a educação do município. E tiveram a sorte de indagarem a mim: educador que também já fui e universitário! Eu saberia responder muitíssimo bem a eles! Recomendei-os que conhecessem alguns pontos turísticos e assim nos despedimos, certos de que fomos cordiais e úteis mutuamente.

Priscila Méri Hugen e Kathiane Weiss, madrinhas da 20ª Festa do Morango

Só que eu não parei de pensar diante de tantas coisas que percebo abandonadas por aqui! E uma delas é a educação!

Digo isso porque um povo que quer crescer e prosperar precisa estar com uma educação condizente! E educação aqui não tem a ver com escola apenas! Há muito por se fazer aqui em Rancho Queimado! Confesso que nesses últimos tempos  não ando divulgando o turismo do município justamente porque eu o vejo como um farsa bem montada e maquiada!

Não temos continuidade de projetos que deem suporte ao turista e ao residente. Outras cidades já estão milhares anos-luz a nossa frente (e elas nem têm o reconhecimento do Ministério de Turismo como um destino indutor de turismo).

Francamente, estamos com a faca e  o queijo na mão, regados de bom vinho, mas estamos deixando o bonde passar! Se é que já não passou… Nosso turismo carece de competência! Precisamos de historiadores para nos auxiliar numa busca pela Identidade; precisamos de profissionais de comunicação para auxiliar na logística de divulgação (sem farseamentos); precisamos de maior envolvimento popular nessas decisões!

Rancho Queimado pede socorro, “antes que seja tarde!” Foi assim que há vinte e cinco anos Maria Helena Teixeira Diniz acordou uma localidade e despertou em Taquaras todo o potencial artístico, histórico e cultural que temos; foi há vinte e cinco anos que Maria Helena Teixeira Diniz revelou os artistas dessa terra, criando a primeira exposição de artes e artesanatos; foi há vinte e cinco anos que Maria Helena Teixeira Diniz inventou os Domingos na Praça, as Gincanas Culturais, inventou a FESTA DO MORANGO  e fez uma sociedade toda passar por uma revolução!

“Taquaras, antes que seja tarde” foi o que Maria Helena propôs! Hoje, tendo acompanhado e crescido nesse processo, percebo que o município de Rancho Queimado precisa de alguém novamente revolucionário, assim como foi Maria Helena há vinte e cinco anos! Ela continua, mas o município pede mais Marias Helenas… O município precisa de essas Marias voltem! Precisamos das Marias Angélicas, das Marias Praxedes Diniz, das “Marias Saletes”, “Marias Felícias”… “antes que seja tarde”. É isso!

 

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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