O bambu e suas histórias incríveis, por Simone Curi

O bambu e suas histórias incríveis, por Simone Curi

– Ele se curva ao vento e à tempestade, tem raízes profundas, vive em comunidade, não cria galhos, é cheio de nós e vazio de si mesmo

Só por essas características objetivas do bambu, é fácil compreender porque ele é a verdade do século. Para além da lição espiritual, sua matéria é chamada a madeira do futuro e, com ela, o planeta ressurge mais sustentável.

Depois do ataque a Nagasaki o bambu foi a primeira planta a crescer novamente. Uma semente de bambu pode formar uma floresta de bambus em 30 ou quarenta anos

Tendo sua origem na Ásia, o bambu apresenta mais de mil espécies espalhadas pelo mundo. Rizomático, se distribui muito rapidamente pelo terreno, assim, uma única planta de bambu pode formar uma floresta em 30 ou 40 anos. Também por esse tipo de enraizamento, é excelente contentor de erosões. Seu material é versátil, leve, resistente, flexível, renovável, estético, tanta potencialidade permite ao bambu transitar por vários reinos da terra.

Do mais sutil ao mais denso. O bambu estimula o bom astral dos ambientes filtrando-lhe as negatividades. Incrementa a construção civil, substituindo a ferragem estrutural, em casas, pontes e até em edifícios anti-terremoto. É depurador de águas, purifica o ar. Com sua fibra se produz roupas. Embeleza jardins e interiores, em forma de móveis, revestimentos, objetos, utensílios. Protege do vento e dos ruídos externos. E ainda, com ele se desenvolveu a bambuterapia. Por fim, utilizado no fabrico de instrumentos musicais, pode-se ver ao lado de Adriana Calcanhoto, que acaba de receber um prêmio, uma estonteante guitarra de bambu.

Na França, duas localidades, Chorges e Prunières, uniram-se para construir uma estação de depuração de água e, claro, recorreram ao bambu. Pois suas raízes, uma microfauna composta por vermes e pequenas conchas, mineraliza a poluição com a absorção da água, sem produzir qualquer resíduo. Além de esteticamente superior aos processos clássicos de depuração, a tecnologia permite reciclar o bambu. Quando a planta atinge a maturidade, chega a alcançar mais 20 m de altura, é menos eficiente para despoluir. Então, pode ser cortada e, com sua madeira, como se viu, fabricar inúmeros produtos.

Já a arquitetura – do Taj Mahal ao Hotel do Frade, em Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro – nacional e internacional cada dia mais tem apostado no bambu, inclusive em projetos públicos arrojados. Obedecendo a tendência contemporânea de conciliar natureza e tecnologia. Em Leipzig, na Alemanha, a fachada do novo estacionamento do zoológico municipal está toda concebida com varas de bambu, presas por cintas de aço.

Perto de Madri, na Espanha, o Aeroporto Internacional de Barajas surpreende o olhar com a bela composição do enorme forro de bambu, com o qual o visual da estrutura de concreto e aço se torna mais leve. Em locais como esse, de uso intenso, a escolha do material recai sobre a durabilidade e resistência, já que as manutenções são complicadas.

No Brasil, existem grandes florestas inexploradas de várias espécies. No Acre, por exemplo, os bambuzais cobrem 38% do estado. Por aqui, entre as muitas espécies, se encontram facilmente (há sites que vendem as mais exóticas) o guadua (Guadua angustifolia), o bambu-gigante (Dendrocalamus giganteus), o bambu-mossô (Phyllostachys pubescens).

Outro dia, ganhei uma muda já bem crescida, uma espécie amarelo e verde, ainda que pareça nacionalista ela não é daqui, ainda que nada tenha de vulgar, seu nome científico é bambusa Vulgaris vittata. Muito adaptável, se deu bem no sítio, parece que sempre esteve ali, içada como uma bandeira. Uma outra espécie tem ajudado a conter uns pontos de erosão lá no terreno, o queridinho dos micro-jardins e fachadas urbanas,bambusa Gracilis ou bambuzinho de jardim. Esses dois se adaptam muito bem a regiões frias.

Minha muda de bambu se adaptou bem ao clima frio de Rancho Queimado e cresce vigoroso na minha propriedade em Invernadinha.

Se até aqui pareceu história de exagerado, foi só no caniço de taquara do pescador! Mas aí, há um desvio, uma inversão – pesar dos pesares – a velha e boa taquara foi trocada pela high tech fibra de vidro e grafite de carbono! Bom, nem tudo neste mundo é bambu…

Mas como eu, há muitos outros e outras obsessionados pela planta, tanto assim que se reuniram numa rede social (Bamboo), quem por esse tema se interessar, pode encontrar no site muito mais informação e adeptos.

Só para lembrar, a maior parte das espécies tem uma floração que poucos chegam a ver, dado seu longo tempo de espera, mais ou menos entre 70 a 100 anos. Portanto, não perca tempo, plante um!

soprando esse bambu
só tiro
o que lhe deu o vento

Paulo Leminski

Aqui em Rancho Queimado, o Sítio Vagalume produz diversas variedades de bambu e trabalha com a permacultura. Maiores informações, clique aqui.

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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