Qual o problema com o nosso turismo?

Como é a realidade do turismo em Rancho Queimado e como a percebemos? O que falta para que ele se consolide de maneira eficaz?

Rancho Queimado é por excelência um município único!

Rancho Queimado, de um ignorado e esquecido município catarinense citado nos índices de cidades mais pobres de Santa Catarina no final da década de oitenta, sofreu uma revolução graças ao trabalho engajado da comunidade, e em especial às mulheres de Taquaras. Inventou-se uma tradição: a Festa do Morango, e esta deu Identidade ao povo daqui. A mídia hoje reconhece: somos a Capital Catarinense do Morango, um lugar ímpar onde todos querem passear, morar ou adquirir um naco de terra. Somos a tradução de requinte, sustentabilidade e turismo de inverno.

Esse é o trabalho que se desenvolve: tornar o município como a maior referência de turismo dessa estação que pede aconchego, sopas, chocolate quente e founde. Mas o que falta no turismo daqui? Qual o entrave que existe para que os gestores – no poder há tantos anos – não consigam alavancar e consolidar esse Turismo, que a cada dia parece mais distante e utópico?

Volto a recordar uma frase que usei em textos anteriores: “Rancho Queimado não precisa ter o maior; somos o melhor”. Governantes, não esqueçam disso!

Vamos valorizar a essência que possuímos: temos o melhor a oferecer

Nada de grandes espetáculos – isolados, que não têm continuidade. Vamos reconhecer o que temos de melhor a oferecer. Foi o que a Festa do Morango sugeriu. Temos o melhor mel, as melhores geléias, doces e licores; o melhor artesanato; os melhores queijos, broas, cucas e pães, etc. Essa é a essência que o turista procura.

Turista não quer um Portal Turístico deslocado da realidade (outro em total abandono há vinte anos). Turista não quer Casa do Turista – ele quer lugares pra visitar, quer casas, comidas, jardins, pessoas. Ele não quer Praça Coberta – ele quer feiras, exposições, atividades e atrativos. Ele quer não apenas a fotografia bonita: ele deseja absorver e compreender a essência do modo de viver, falar e vestir. Ele quer o pertencimento.

Quais projetos nesse sentido são desenvolvidos? Quantas oportunidades estão sendo perdidas e esquecidas! Somos Indutores de Turismo do Brasil. Que grandes exemplos podemos ofertar? Claro, exemplos são os particulares: são eles que fomentam o turismo daqui. O Distrito de Taquaras garante seu público porque tem o Galpão Tropeiro e o Rancho Ecofrutícola. No Centro, temos o pioneirismo do Kaffeehaus.

Precisamos de uma política pública que dê ênfase aos nossos potenciais. Precisamos estruturar nosso turismo com cooperativas e associações. Mas isso sem o auxílio e a participação ativa do poder público é o mesmo que nada, ou seja, é o mesmo que vivemos hoje e há longos anos. A hora é agora! Esses trabalhos isolados e esquecidos, quando não silenciados (às vezes), precisam aparecer. As escolas daqui precisam preparar seus alunos sobre esses temas. Precisamos formar consciência ecológica e noções de turismo sustentável. Precisamos capacitar os artistas e artesãos daqui. Precisamos de guias e monitores para o turismo. Precisamos de líderes políticos que entendam de turismo (não líderes políticos que trabalham pro turismo dos seus estabelecimentos).

As abelhas daqui produzem o melhor mel do mundo!

O material de divulgação está ultrapassado – são os mesmos banners há anos. O panfleto é vago. As praças e beiras de estradas estão em total abandono. Estradas esburacadas. Calendário de eventos que não é seguido. Os grupos folclóricos, corais, banda e outros mínguam por auxílio (parabéns à garra e persistência dos que lutam pela sobrevivência deles), a Festa do Morango mendiga ano após ano – justo ela que elevou o status de Rancho Queimado. E isso tudo, por quê?

Porque falta competência aos nossos governantes. A que sobra para que eles se perpetuem nos cargos, falta para administrarem, infelizmente. Não existe uma política de assistência continuada aos grupos e eventos, aos talentos daqui. E essa política não exige dinheiro, quantias exorbitantes, para eventos que não têm essências – como o fracassado Festival de Inverno; exige competência e engajamento. Exige pequenas e sutis ações que fazem todo o diferencial. Repito, é o que se faz na Festa do Morango.

Por mais que se critique o trabalho desenvolvido pela Associação Comunitária do Distrito de Taquaras – um trabalho todo voluntário – é ele que dá reconhecimento e dignidade ao município. Os moranguicultores estão satisfeitos: têm casa nova, carro novo, qualidade de vida. E com isso vem a autoestima e o significado da palavra pertencimento. Eles sabem da sua importância no elo que os unem. Saímos da lista dos municípios pobres e hoje estamos na lista dos mais valorizados, onde o hectare de terra é o mais caro do estado de Santa Catarina.

Trabalho engajado e competência administrativa. Fica a dica. Do contrário, teremos o turismo isolado e minguado de sempre. E dizer que eu ia escrever sobre um termômetro,mas isso fica para a próxima… É isso!

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

Posts Relacionados

Deixe seu comentário » ()