Qualidade de Vida e Qualidade Moral de vida

Qualidade de Vida e Qualidade Moral de vida

Quando menino de 7 anos em Florianópolis, ficava sentado de tarde na mureta de nossa casa (na rua General Bittencourt – hoje casa da Associação dos Municípios da Grande Florianópolis) olhando e desenhando o Cambirela, e desenhava-o horas sem fim. Este monte característico de frente a baia sul, da antiga, frondosa e saudosa bela Ilha (capital de Santa Catarina) era meu professor de voo futurista, sem nem saber ou desconfiar o porquê! Mal sabia eu, que ali seria como um marco anunciativo, destacando meu caminho de ida para morar definitivamente em Rancho Queimado, na Serra do Mar, a 750 metros de altitude, de clima temperado úmido. Naquele tempo de “manezinho” da Ilha, conhecia quase todos os terrenos baldios do centro de Florianópolis. Simplesmente porque em quase todos eles, existiam maravilhosas e portentosas árvores carregadas de frutas nativas ou exóticas (espécies provindas de outras regiões, países, biomas…), que enchiam os olhos de qualquer moleque. E como eram deliciosas as frutas escondidas e perigosas dos terrenos abandonados! Para um pequenino guri, aquilo era como se meter na Mata Amazônica, com apenas um palito de dente como instrumento de defesa. E como tinham cachorros e velhos humanos rabugentos! Fugíamos do mundo para encontrar um outro Mundo! Não havia drogas, todo o sujeito conhecido ou não, que cruzávamos na rua, sendo branco ou negro, sempre o tratávamos como “oh neguinho” vamos pescar no rio (Hercílio Luz), vamos fazer uma casa na árvore do Morro (da Cruz), vamos “catar” umas frutas lá nos padres do Catarinense (Colégio Catarinense). Eram tempos que a molequice não se fazia de maldade, e que o vício, a tentação psicótica ou a imoralidade não espreitavam as esquinas da Av. Mauro Ramos ou Hercílio Luz.

Qualidade de Vida

Hoje vejo demasiadas pessoas cansadas de viverem em Florianópolis e intranquilas para “fugir” imediatamente de lá. Por quê? Conheço amigos que esperam loucos pela imediata aposentadoria, pela sorte de um preço bom de compra de um sítio em Rancho Queimado ou nas imediações… Como Urubici, Bom Retiro… O que aconteceu com Florianópolis? Lembro-me da primeira leva de pessoas vindas do Rio de Janeiro para trabalharem na Eletrosul. Vieram com um padrão de vida (não todas), que o povo de Florianópolis nunca ostentou e posso dizer isto, porque conheço, e minhas origens maternas são de lá também, porém, mais comedidas. Casas que mais pareciam paliçadas dos castelos dos Reis da França, surgiam “fechando” as calçadas… As vistas, as Matas. Dera-se o primeiro pontapé numa mudança para as aparências, que deslanchou de vez com os pavorosos prefeitos que Florianópolis começou a ter o azar em eleger. Prometeram, com propagandas na Revista Veja de “Capital do Mercosul”, até a medíocre gestão dando vistas grossas aos barracos avançando em Áreas de Preservação Permanente, sendo comprados posteriormente para construção de casas de luxo. Desde aí, não parou mais de ter prefeitos cada um pior do que o outro… De todos os partidos. A arte de eleger pessoas de qualidade… Feneceu! Sempre fugiram e desvirtuaram o real problema que se deve enfocar em uma cidade: como manter a Qualidade de Vida com a régia Qualidade Moral da Vida. As empreiteiras abraçaram os políticos e Florianópolis desmontou com as derrubadas das suas árvores e a edificação de torres feíssimas sem planejamento. Ao cúmulo de nem somarem a quantidade de carros em cada prédio, para verem se as ruas poderiam comportar sua vazão… Um simples cálculo de soma e multiplicação, já mostraria que as ruas e sua trafegabilidade, ficariam inviabilizadas com tantos prédios em cada quarteirão. Nem pensaram que estavam sendo erguidos…. EM UMA ILHA!!! De nada adianta vestir um terno, cheirar um perfume caro como Chanel n° 5, morar num sítio e ser um caluniador(a), um(a) farsante, um(a) embusteiro(a)…um(a) depredador(a). Nem mesmo de que adianta ser um pobre, sem dignidade, sem respeito, sem ética, sem palavra, sem esforço? Já é pobre de dinheiro e pobre de virtudes? De que adianta ter uma boa posição na vida, um bonito sítio ou fazenda e não ter um “sítio” interno muito mais fértil no seu coração, de beleza, seriedade, sinceridade e ética ? Não falo da falsa moralidade das pseudo-religiões, seitas… Falo da moralidade prática. Daquela que funciona. Não esta falsa bondade que mostra uma face e a outra para ser batida descaradamente pelo mal e pela calúnia corriqueira da vulgaridade contemporânea, dando “pasto” para que esta cresça. A Politica tão útil… Tornou-se podre e frágil porque é um retrato fiel de seus eleitos de então. Uma cidade, também reflete seus moradores. O que está acontecendo com as pessoas? O que está acontecendo com o espirito humano? O Maquiavelismo reside até na pessoa que dorme ao seu lado. A doença física é irrelevante quando vemos a ação da doença mental e de espírito, numa mulher ou homem. Câncer no corpo físico, comparado a falta de ética no espírito… é mera gripe!!! As pessoas sentiram isto, que as cidades, as químicas alopáticas, as comidas sintéticas, as mídias hipnotizantes, as seitas…., estão formando seres assim. Fogem para o campo ou para as praias em busca de outros “ares”, de outras “ondas magnéticas” de influencia comportamental. Mas aviso aos navegantes: cuidado com as cobras? Não! Cuidado com o ser humano!!! No campo também existem velhacos e velhacas indistintos se são pobres, aparentemente ricos ou ricos. A ética sumiu. A velhacaria tomou conta. Como são belas as arvores! Como são complexas as borboletas… Que linda aquelas montanhas! Que rico de oxigênio tem a Serra como pousada! Mas…, tenham cuidado com o ser humano!

Geraldo Jardim
O texto acima é de inteira responsabilidade de Geraldo Jardim, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

Posts Relacionados

Deixe seu comentário » ()