Roteiro Turístico de Taquaras: pioneirismo comunitário

Roteiro Turístico de Taquaras: pioneirismo comunitário

COMO A ELABORAÇÃO DE UM ROTEIRO TURÍSTICO TRANSFORMOU TAQUARAS; E A AUSÊNCIA DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MONITORAR ESSA TRANSFORMAÇÃO

No início da década de 90, Taquaras começou um movimento que a despertou: Taquaras, antes que seja tarde! O crescente êxodo rural e as precárias condições do agricultor eram preocupantes e a cidade se esvaziava. Liderados pelas mulheres da comunidade, fez-se ações que transformaram significativamente a História do município: o morango começa a ser cultivado, surge a Festa do Morango e propõe-se o desenvolvimento por meio da indústria sem chaminés – o Turismo.

O Roteiro Turístico de Taquaras sugeria que o visitante chegasse à cidade via BR 282 começando pela Boa Vista, onde poderia contemplar a vista panorâmica e apreciar as belezas que aquele lugar, ainda tão desconhecido reservava.

Boa Vista; a vista panorâmica que se tem é indescritível

Mais adiante, seguindo pelo Portal de Taquaras, logo o turista perceberia a razão do nome da comunidade. A planta conhecida por taquara se sobressaía por todas as matas, vale abaixo. E num piscar de olhos, do alto da montanha, surgia Taquaras.

Monumento ao Tropeiro – primeiro no país, casas multicoloridas com jardins bem cuidados, igrejinha no alto da colina… A beleza que este lugarejo tinha já denunciava o potencial turístico que teria!

Imponente no alto do morro de Navalhas, a comunidade ergueu o Monumento ao Tropeiro, pioneiro no Brasil

Visitar o Mato Francês era a próxima recomendação do roteiro. A comunidade era e ainda é o maior celeiro agrícola do município e lá o viajante teria a oportunidade de comprar direto do agricultor queijos e derivados, legumes, verduras e o morango!

Já reconhecido como patrimônio estadual, o Museu Hercílio Luz se destacava na localidade de Taquaras, servindo de cenário para filmes. Em frente ao museu, a Igreja Católica construída pelo governador em homenagem a sua esposa também era parada obrigatória.

Museu Hercílio Luz: cem anos na história da cidade

Mais segredos Taquaras revelava: um engenho colonial que produzia farinha, melado e vinho de laranja; um sítio arqueológico que era a morada dos indígenas – a Toca dos Bugres e por último, recomendava-se uma visita ao Rio Bonito onde poderíamos contemplar a cachoeira que sempre foi um dos maiores postais da cidade!

A Cascata Trisãmya sempre foi um dos postais mais apreciados na região

Ao término desse roteiro estava a igrejinha da comunidade de Rio Bonito que em seu altar apresentava um afresco do artista Walter Smykalla, onde os anjos sugeriam uma bênçao ao turista durante o regresso pra casa.

Muitos anos se passaram desde a apresentação desse roteiro turístico, mas podemos perceber a contemporaneidade dele. Hoje muitos atrativos surgiram e foram incorporados: a indústria sem chaminés vingou e é a locomotiva do atual desenvolvimento do município!  A cidade é a Capital Catarinense do Morango e estamos na vigésima edição de sua festa! Restaurantes e pousadas sempre estão lotados…

Precisamos é de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento e planejamento desse turismo. Rancho Queimado foi eleito pelo Ministério do Turismo como um destino indutor desse segmento, mas somos criticados em marketing e políticas públicas e obtivemos a nota zero em monitoramento. É necessário planejar e executar melhor.  E isso só acontecerá quando os governantes entenderem que Rancho Queimado não carece de ser o maior: vamos valorizar o melhor. Temos o melhor mel do mundo, as melhores geléias, os melhores pães, o melhor artesanato…

Rancho Queimado deve ser reconhecida pelo  melhor, chega de megalomaníacos. O segredo está nos pequenos frascos. É isso!

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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