Turismo Cultural pelo Caminho das Tropas Desterro-Lages

Turismo Cultural pelo Caminho das Tropas Desterro-Lages

O antigo trajeto que ligava a cidade de Desterro ao planalto catarinense, denominado por Caminho das Tropas, surgiu após as primeiras incursões dos tropeiros pelo sertão desconhecido (BRÜGGEMANN, 2008, p.51)  O interior antes desconhecido agora precisava ser explorado. Havia a necessidade de povoá-lo e de explorar suas riquezas. Era traçado um novo projeto de ocupação para a região. Com a concessão de terras se iniciava um novo período. Povoados foram se formando. LUZ (1999, p. 105) descreve que até 1901 a estrada que partia da Ilha de Santa Catarina só chegava até Taquaras; daí para adiante só se podia viajar a cavalo, gastando mais quatro dias para se chegar a Lages. A primeira estrada só foi completada cinco anos depois, em 1906.

Pesquisa Sobre o Caminho das Tropas Desterro-Lages

A pesquisa O Caminho das Tropas Desterro-Lages e o legado patrimonial: potencialidades para o desenvolvimento do seu turismo cultural (BAUER; SOHN, 2018) foi desenvolvida durante o meu mestrado em Turismo e Hotelaria e publicada na INTERAÇÕESRevista Internacional de Desenvolvimento Local. A pesquisa mapeou os principais atrativos encontrados no território que compreendia o antigo Caminho das Tropas, já explorados turisticamente ou não, observando a situação atual deles e, também, apontou algumas sugestões para a sua exploração turística.

Com esses resultados, a intenção dessa pesquisa é a de se sugerir um roteiro regional com foco no turismo cultural do antigo caminho traçado entre o litoral e o planalto catarinense. Assim, a própria paisagem passa a ser interpretada como um atrativo turístico, entendendo que ela pode se configurar numa ferramenta útil de desenvolvimento do turismo e do local em si. Da mesma maneira, vale ressaltar que a qualidade estética, ou seja, a singularidade, a autenticidade e a variedade nas composições territoriais são preponderantes ao se planejar o turismo de uma região.

DEBRET, Jean Baptiste Voyage pittoresque et histórique au Brésil 1839 Vol II Plancha39 – p.1323

Um mapeamento de atrativos turísticos das cidades que integram a primeira rota mercantilista entre a capital da província da Capitania de Santa Catarina e a vila de Lages se apresenta como uma possibilidade concreta de atividade a ser trabalhada nas comunidades locais. Trata-se, portanto, de uma estratégia de preservação do patrimônio, conduzindo a melhoria da qualidade de vida da população envolvida e uma garantia para o fortalecimento de sua identidade cultural e de suas memórias. Entendendo que, a força do lugar reside no território compartilhado e identificado por uma consciência social e comunitária de entorno, cuja essência é a própria história vivida em comum.

Contexto Histórico e Cultural do Caminho das Tropas Desterro-Lages

Durante o século XVII, as vilas litorâneas catarinenses estabeleciam contatos e trocas comerciais entre si por meio da navegação marítima, no entanto, não havia comunicação com o planalto serrano paulista, onde se localizava a vila de Lages. O espaço entre o litoral e planalto, então desconhecido, era denominado por “sertão”, ou seja, “lugar de risco e perigo, terra de inimigos e bichos indomáveis” (BRÜGGEMANN, 2008, p. 51). O interior precisava ser explorado e havia a necessidade de povoá-lo, além de se descobrir suas riquezas.

Nesse sentido, foi traçado um projeto de ocupação para a região, surgindo a formação dos primeiros povoados. A primeira incursão mata adentro, sentido litoral-planalto, data de 1787, denominada de “Picada do Alferes”, e seguia de São José da Terra Firme (atual São José), pelas margens do Rio Maruim, passando pelas colônias de São Pedro de Alcântara (primeira colônia alemã de Santa Catarina) e Vila Mundéus (atual Angelina), de onde partia para a localidade do Alto Garcia, alcançando Taquaras, última linha colonial da Colônia Santa Isabel e segunda colônia alemã do Estado; dali seguia pela Serra do Trombudo e Morro da Boa Vista (ambos em Bom Retiro), até chegar ao Rio Canoas, nas proximidades da Vila de Lages. (BAUER, 2012; BRÜGGEMANN, 2008; JOCHEM, 1992)

Bauer (2015a) aponta que a abertura de uma ligação terrestre entre o litoral e o planalto serrano paulista criou uma importante rota comercial, denominada por “Caminho das Tropas”, por onde se observou uma intensa transformação sociocultural, desde a sua implantação. Para que houvesse a manutenção e a segurança desse caminho, o governo da província de Santa Catarina promoveu a instalação de colônias pelo seu traçado, a saber, as colônias alemãs de São Pedro de Alcântara (1829) e de Santa Isabel (1847), a militar de Santa Tereza (1853) e a de açorianos, advindos do litoral, Colônia Nacional de Angelina (1860).

Traçado da primeira rota dos Caminho das Tropas e municípios atuais. (BAUER; SOHN, 2018)

Atualmente, integram o traçado original do Caminho das Tropas, iniciado em 1797, os municípios de São José, São Pedro de Alcântara, Águas Mornas, Angelina, Rancho Queimado, Alfredo Wagner, Bom Retiro, Bocaina do Sul e Lages. O modus vivendi dos tropeiros – o tropeirismo, ainda hoje pode ser fortemente identificado nas culturas locais dessas cidades, por meio das culturas miscigenadas que ali foram se constituindo ao longo da história.  A cidade de Rancho Queimado, por exemplo, foi fundada por imigrantes alemães, mas tem a origem do seu nome herdada dos tropeiros: segundo relatos, era naquela região que eles pernoitavam e por um incêndio fortuito o rancho de pouso acabou se incendiando.

Levantamento de Potencialidades Para o Turismo Cultural do Caminho das Tropas Desterro-Lages

É importante considerar que o desenvolvimento do turismo cultural se inicia pela valorização e promoção da própria cultura local, preservando os seus patrimônios e gerando oportunidades de renda no setor. Nessa perspectiva, o patrimônio não é um simples atrativo turístico, mas sim, um fator capaz de destacar, preservar e oferecer subsídios para compreender a própria identidade cultural de uma comunidade, por experiências vividas entre grupos distintos.

Diante do exposto, fez-se pertinente o levantamento de potencialidades para a proposição de um roteiro turístico cultural sobre o Caminho das Tropas, visto que, apesar da sua importância na historiografia catarinense, este caminho esteve sempre em segundo plano, sobreposto a outras culturas, em especial a alemã. Nesse sentido, a partir de um levantamento histórico sobre o Caminho das Tropas, poderemos evidenciar alguns atrativos que corroborariam com o desenvolvimento de um turismo cultural sobre os tropeiros que abriram a primeira rota mercantilista entre Desterro e Lages.

Município de São José

A freguesia de São José da Terra Firme, atual município de São José, foi uma das primeiras freguesias criadas em Santa Catarina, em 1751. Como a capital da província se localizava numa ilha, São José se beneficiou economicamente do Caminho das Tropas. Por ordem do Governador da Capitania, em 11 de janeiro de 1787, o Alferes Antonio José da Costa ficou encarregado de abrir um caminho entre a freguesia de São José de Terra Firme até as cercanias da vila de Lages, no então planalto serrano paulista. A empreitada do alferes teve início em 11 de janeiro de 1787, quando partiu de São José com “12 homens armados, 12 escravos e 7 bestas cargueiras”, seguindo pela picada sul em direção a oeste, margeando o Rio Maruim (COSTA apud COELHO, 1856).

O centro histórico de São José possui um conjunto de casario do período colonial açoriano, tombado como patrimônio histórico e cultural do município, pelo Decreto nº. 18.699/2005. Tratam-se de seis casas geminadas que pertenceram a líderes políticos e comerciantes daquela época. Algumas delas ficaram marcadas pelo vínculo com fatos históricos de grandes vultos, como a do General Xavier Neves, que abrigou o casal imperial no ano de 1845. Outra casa desse conjunto arquitetônico, o Solar Ferreira de Mello, foi um dos primeiros bens tombados pelo estado (P.T. nº: 007/86) e abriga o atual Museu Histórico de São José. Ainda no Centro Histórico de São José mantêm-se preservadas outras construções históricas significativas, tais como a Igreja Matriz (1750), o Theatro Adolfo Mello (1856) e o Beco da Carioca (1750), primeira fonte de água encontrada pelos fundadores, que do mar aportaram em terra firme.

Outra edificação histórica que se destaca no município de São José é a Ponte do Rio Maruim, construída em 1857, como parte do projeto para uma segunda rota para o Caminho das Tropas. Denominado de “estrada nova” este caminho, promoveu um desvio do trajeto inicialmente traçado, o que acabou isolando a Colônia de São Pedro de Alcântara e de Angelina, desagradando os moradores daquela região. Em 1995, a ponte foi destruída por enchente, restando apenas parte de sua cabeceira – atual Píer do Rio Maruim, tombado pelo Decreto nº. 18.703/2005 como patrimônio histórico e cultural de São José.

Atrativos turísticos do município de São José: Theatro Adolfo Mello, Centro Histórico, Igreja Matriz, Píer do Rio Maruim, Beco da Carioca e vista noturna da cidade. (BAUER; SOHN, 2018)

Município de São Pedro de Alcântara

Motivado pela necessidade de se povoar a rota comercial recém aberta, o governo dá início ao processo de colonização da região. Em 1829, funda a primeira colônia alemã do estado de Santa Catarina, São Pedro de Alcântara. A cidade, com 4704 habitantes (IBGE/2015), preserva as características de origem germânica e tem se promovido turisticamente sob esta perspectiva, juntamente com as cidades de Águas Mornas e Rancho Queimado, que integram a Rota Caminhos da Imigração Alemã.

São Pedro de Alcântara mantém preservada uma parcela significativa do Caminho das Tropas, conhecido por Caminho do Salto e tombado pelo município, por meio da Lei nº. 297/2004. O trajeto, construído pelos escravos, possui aproximadamente 1000 metros pavimentados com pedras em estilo ‘pé-de-moleque’. Outro importante marco histórico do antigo Caminho das Tropas localizado em São Pedro de Alcântara trata-se da Pedra das Letras, um petróglifo indicativo da passagem dos tropeiros pelo local. Datado de 12 de maio de 1789, possui as inscrições de uma cruz de malta junto com as iniciais VRDP, que segundo historiadores, significaria Viva o Rei de Portugal.

Ao longo do Caminho das Tropas pela colônia alemã de São Pedro de Alcântara o comércio foi se estabelecendo entre os imigrantes e os tropeiros. Algumas casas comerciais continuam ainda preservadas, como o conjunto arquitetônico Vila Kretzer, tombado como patrimônio histórico cultural, em nível estadual, pelo Decreto nº 5979/2002. Outro exemplo é um antigo armazém, também tombado pela municipalidade, pela Lei nº. 011/1999 e que atualmente abriga um museu histórico regional, a Casa Cultural São Pedro.

Atrativos turísticos do município de São Pedro de Alcântara: Portal Turístico, Casa Cultural São Pedro, Caminho do Salto, Vila Kretzer e Igreja Matriz. (BAUER; SOHN, 2018)

Município de Angelina

A fundação da Colônia Nacional de Angelina, em 1860 se iniciou com açorianos e seus descendentes, que trocaram o litoral catarinense pelo interior do sertão. Já nos primeiros anos da sua instalação, a colônia sofreu com problemas financeiros, motivada pela falta de investimentos do governo e pelo abandono geográfico sofrido, quando o Caminho das Tropas mudou seu trajeto inicial. (WERNER, 2004; JOCHEM, 1992)

A religiosidade sempre esteve presente na colônia, e em 1863, foi construída sua primeira igreja. Angelina ficou reconhecida como um destino de turismo religioso, integrando o roteiro turístico Caminhos da Fé. A cidade possui locais de peregrinação, como o Santuário Nossa Senhora de Angelina, composto pela Gruta Nossa Senhora de Lourdes, inaugurada em 1907. Logo após conclusão da gruta, foram encomendados na Alemanha os quadros da Via Sacra para a gruta, que chegaram em Desterro em quatro grandes caixotes de madeira. Para facilitar o transporte até Angelina, as caixas são abertas e os catorze blocos de gesso, medindo 85cm de altura por 60cm de largura, são levados em carroças, pelo Caminho das Tropas, com a ajuda dos colonos da região. (BAUER, 2011)

Atrativos turísticos do município de Angelina: Museu da Congregação das Irmãs Franciscanas, Gruta Nossa Senhora de Lourdes, Via Sacra (XII Estação: Jesus morre na cruz), Convento Irmãs Franciscanas e Igreja Matriz. BAUER; SOHN, 2018)

Município de Rancho Queimado

Partindo de Angelina, o Caminho das Tropas chegava a Rancho Queimado, alcançando a comunidade de Taquaras, última linha colonial da Colônia de Santa Isabel. Luz (1952) descreve que até 1901 a estrada das tropas só chegava até Taquaras; daí para adiante só se podia viajar a cavalo, gastando mais quatro dias para se chegar a Lages. A primeira estrada só foi completada cinco anos depois, em 1906. Taquaras ocupou papel de destaque na historiografia do Caminho das Tropas, visto que, apesar das mudanças de trajeto que ocorreram ao longo dos tempos, o lugar sempre foi um ponto de intersecção. (BAUER, 2012; BRÜGGEMANN, 2008; JOCHEM, 1992)

Apesar de Rancho Queimado e suas localidades terem sido linhas coloniais alemãs, pode-se notar influências do tropeirismo, enquanto legado histórico e cultural do antigo Caminho das Tropas.  Em 1993, a cidade construiu o Monumento ao Tropeiro e instituiu a Festa do Tropeiro em seu calendário de eventos. Pela cidade há trechos ainda pavimentados do antigo Caminho das Tropas, contudo, nenhum possui registro de tombamento e nem configura como atrativo turístico. O único bem tombado em nível estadual (P.T. nº: 006/84), diz respeito à Antiga Casa de Campo do Governador Hercílio Luz e abriga um Museu Histórico, administrado pela Fundação Catarinense de Cultura.

Atrativos turísticos do município de Rancho Queimado: Mirante da Boa Vista (1.200m), Portal Turístico, Monumento ao Tropeiro, Tropeada (Festa do Tropeiro) e Museu Casa de Campo Governador Hercílio Luz . (BAUER; SOHN, 2018)

Alfredo Wagner e Bom Retiro: os campos da Boa Vista

Em Taquaras o Caminho das Tropas seguia pelos morros da Boa Vista, até alcançar, onde hoje se situa o município de Alfredo Wagner, a Colônia Militar de Santa Tereza, fundada em 1853. Segundo Brüggemann (2011), o estabelecimento dessa colônia se devia, principalmente, a dois motivos. Primeiro, proteger os viajantes e os tropeiros que utilizavam o caminho; segundo, cobrar impostos sobre todos os animais e mercadorias que por ali passavam. Sua localização foi considerada estratégica, no Morro do Trombudo, com 1306 metros de altitude, local onde o alferes Antônio José da Costa demarcara ainda em sua primeira expedição, em 1787, o limite entre as capitanias de Santa Catarina e São Paulo. (WERNER, 2004; BRÜGGEMANN, 2013)

De Alfredo Wagner, o Caminho das Tropas alcançava os campos da Boa Vista, já em terras da Capitania de São Paulo. O território foi posteriormente requerido pela capitania de Santa Catarina e, em 1820, o território entre os campos da Boa Vista até a vila de Lages a ela foram incorporados (Luz, 1952). O Morro da Boa Vista é o ponto mais alto de Santa Catarina, com 1.827 metros, e se localiza no limite entre os municípios de Bom Retiro e Urubici. Ainda em Bom Retiro outro atrativo turístico pode ser identificado, a saber, a Calçada do morro Costão do Frade, um trecho pavimentado do antigo Caminho das Tropas, semelhante aos já identificados em São Pedro de Alcântara e Rancho Queimado. Outro atrativo turístico da cidade de Bom Retiro é o Monumento ao Capitão Antônio Marques Arzão, fundador da cidade e membro do grupo que juntamente com o alferes Antônio José da Costa abriu o Caminho das Tropas.

Atrativos turísticos do município de Bom Retiro: Morro da Boa Vista (1.827m), Calçada, Monumento Antônio Marques Arzão, Morro do Trobudo (1.306m), Portal de acesso ao Morro da Boa Vista e Costão do Frade. (BAUER; SOHN, 2018)

Município de Lages

Os campos da Boa Vista e de Bom Retiro se estendiam pelo planalto num território que foi denominado por “Paraiso do Sertão” (Brüggemann, 2008; Werner, 2004), atuais municípios de Alfredo Wagner, Bom Retiro e Bocaina do Sul. Ali encontravam afluentes do Rio Uruguai e Rio Canoas, chegando à Vila de Lages, atual município de Lages.

Paraizo do Sertão, foi a expressão que ocorreu ao Alferes, depois vencer com muito esforço e sacrifícios os trechos fortemente erodidos e recobertos de vegetação das encostas da Serra Geral. A partir dai, chegou, finalmente aos campos que, a partir do Morro do Trombudo, se estendem para oeste. (COSTA apud COELHO, 1856, p. 27)

A Vila de Lages foi fundada em 1766, sendo um local estratégico para as rotas mercantilistas do planalto paulista, no caminho São Paulo-Viamão, aberto em 1727. Todavia, o sertão separava Lages do então litoral da Capitania de Santa Catarina, onde freguesias foram se formando desde 1500, a saber, São Francisco do Sul, Desterro, Laguna, entre outras. Nesse sentido, a abertura do Caminho das Tropas Desterro-Lages se configurou num novo período mercantil e administrativo, haja vista que a vila de Lages posteriormente foi incorporada ao território catarinense (BRÜGGEMANN, 2003).

Igualmente a São José, Lages também se beneficiou do Caminho das Tropas, transformando-se em importante polo comercial, industrial e turístico de Santa Catarina e o legado deixado pelos tropeiros é bem presente na cidade. Um exemplo é a Fazenda Cajuru, tombada como patrimônio cultural estadual (P.T. nº. 294/2005), construída junto ao antigo trajeto, em 1865. Outro exemplo é a Coxilha Rica, que concentra o maior e mais importante acervo de bens culturais relacionado ao ciclo do tropeirismo (Teixeira, 2015). Composto por casarões, corredores e mangueirões de taipas de pedras, cemitérios, entre outros, trata-se do único bem patrimonial do Caminho das Tropas que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) tem mapeado, por meio do Inventário Nacional de Registro Cultural (INRC), auxiliando na identificação e proteção do patrimônio cultural relacionado aos Caminhos das Tropas. O Monumento Os Tropeiros também é um importante atrativo turístico, em se tratando de referências históricas e culturais sobre a abertura do caminho Desterro-Lages.

Lages também é reconhecida como a “Capital Nacional do Turismo Rural”, haja vista o pioneirismo nessa segmentação de turismo, iniciado na década de 1980, quando fazendas centenárias da região começaram a adaptar-se para receber visitantes.

Atrativos turísticos do município de Lages: Coxilha Rica, Fazenda Cajuru. Monumento os Tropeiros, Taipa de Pedra e vista da cidade. (BAUER; SOHN, 2019)

Pensar o Turismo Cultural para o Caminho das Tropas

Pensar no desenvolvimento de um turismo sobre o Caminho das Tropas Desterro-Lages seria, antes de tudo, passar a entender este território de cidades com culturas distintas, enquanto uma região com características similares. Ou seja, um espaço vivido e sentido pelos seus habitantes (Fremont, 1980). Diante do exposto, as questões regionais assumem importância cada vez maior para o turismo e estimulariam o desenvolvimento de uma infraestrutura turística, além de outras atividades econômicas para o Caminho das Tropas, a saber, o desenvolvimento do comércio, dos transportes, dos meios de hospedagem, das agências de viagem e do artesanato regional.

A presente pesquisa evidenciou alguns patrimônios culturais da primeira rota mercantilista entre o litoral catarinense e o planalto, num território compreendido por nove municípios. Os vestígios históricos e manifestações culturais aqui apresentados podem ser considerados como atrativos turísticos para o desenvolvimento de um turismo cultural sob a perspectiva da presença dos tropeiros nessa região. Alguns desses atrativos já são ofertados turisticamente e poderiam ser melhor planejados, em se tratando de uma promoção estratégica, com foco no desenvolvimento local. As políticas públicas existentes dizem respeito ao processo de tombamento de patrimônios de referência cultural tropeira, devido sua relevância histórica e cultural. Finalmente, o turismo cultural para o Caminho das Tropas seria uma forma de manter a dinâmica da vida da região, compreendendo e reinterpretando estas paisagens culturais.

Por fim, acredita-se que esta pesquisa possa contribuir com o planejamento do turismo de regiões que têm como foco o turismo cultural. Por meio de um diagnóstico histórico e de um levantamento de potencialidades de atrativos turísticos tem-se a possibilidade de planejar, estrategicamente, ações para o desenvolvimento turístico, social e econômico de um lugar.

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Para ler a pesquisa O Caminho das Tropas Desterro-Lages e o legado patrimonial: potencialidades para o desenvolvimento do seu turismo cultural (BAUER; SOHN, 2018) e visualizar toda a bibliografia utilizada, acesse a INTERAÇÕESRevista Internacional de Desenvolvimento Local.

BAUER, Jonei; SOHN, Ana Paula Lisboa. O Caminho das Tropas Desterro-Lages e o legado patrimonial: potencialidades para o desenvolvimento do seu turismo culturalInterações (Campo Grande), v. 19, n. 3, p. 655-677, 2018.

Jonei Bauer
O texto acima é de inteira responsabilidade de Jonei Bauer, não expressando necessariamente a opinião do Portal do Rancho. Saiba mais sobre o autor.

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